segunda-feira, 25 de abril de 2011

Compromisso com a sociedade

 Compromisso com a sociedade
            Quando comecei a lecionar, logo percebi que para ser um bom educador era preciso muito mais que conhecimento. Era preciso ser humano e jamais supervalorizar o intelecto e a razão em detrimento do amor e da emoção. M e apaixonei pela educação, porque via a possibilidade de ajudar pessoas a terem mais oportunidades no futuro. Afinal de contas, muitos estudantes ‘’talvez tivessem apenas a escola para esse suporte.
            Dessa forma, comecei a observá-los com mais atenção a escutar suas histórias de vida e a percebe também que a escola não era um mundo isolado. Os estudantes traziam consigo um mundo paralelo que envolvia a família, a rua e o bairro que estavam inseridos e que recebiam influencia direta. Ao concluir licenciatura em geografia sair com uma grande certeza, talvez a única certeza: que o conhecimento que havia adquirido era uma gota e que minha ignorância era um oceano. Sei que não é possível dominar todo o conhecimento e, por isso me contento em estar sempre aprendendo.
            Lecionando geografia, sempre conversei muito com estudantes. Entendo que mais importante que depositar conhecimento, é preciso despertar a curiosidade, para que eles possam buscar informações construir suas próprias idéias, dialogar e encontrar alternativas que melhore seu cotidiano e a vida da comunidade que fazem parte.
            Na minha pratica docente tento despertar o senso crítico, desenvolver a auto-estima e a autoconfiança nos educados e isso tem contribuído para uma tomada de consciência coletiva. Consciência é algo endógeno, que nasce de dentro e se matéria Liza na reformulação de nossa escola de valores e mudança de postura diante da realidade.
            Confesso que nunca me sentir preso às grandes curriculares impostas pelo sistema educacional porque sempre priorizei conteúdo e discussões que tivessem sentido para os educados, conteúdos que os fizessem indignar-se com as injustiças e levantar a cabeça a diante da opressão. Jamais quis formar marionetes para serem manipuladas pelo mercado neoliberal e todos aqueles que se beneficiaram desse sistema, mas sim contribuir na formação de cidadão,comprometido com as conseqüências de suas ações.
            Minha metodologia são fundamentadas nas idéias de Paulo Freitas em que se aprende dialogando, refletindo e criticando a realidade, construindo o conhecimento e criando uma atmosfera favorável para o desenvolvimento de potencialidades. Admiro colegas que tem compromisso com o que faz e que estão dando sua parcela de contribuição, ainda que no anonimato, para uma mudança social. Admiro aqueles que têm fé e acreditam ser possível viver em um mundo melhor para todos.
            Para concluir, gostaria de registrar que quanto mais aprendo mais me torno humilde, porque compreendo que preciso aprender sempre mais. Aprender mais para servi melhor.
            Pretendo, no futuro, olhar para trás e ter a sensação de missão cumprida, que os estudantes que passam por mim vão dar continuidade a esse projeto de sociedade que sonhávamos juntos nas aulas de geografia a acreditávamos ser possível construir.
                                                                                                                  Por: André Barreto Sandes*
* Escritor, educador licenciado em geografia, Especialista e Mestre em educação


Nenhum comentário:

Postar um comentário